La Paz e as ruínas de Tiwanaku – últimos dias na Bolívia

De Sucre tomamos o caminho de volta a Potosí, pela estrada 5 para, daí, retomar a 1, que nos levaria a La Paz. O caminho era mais longo, mas, de acordo com o que nos informaram, era também o mais rápido. Fizemos uma parada na desinteressante Challapata apenas para dormir e, no dia seguinte, chegamos à capital do País.

Já estávamos tão aclimatados com a altitude, que percorremos à pé várias das ladeiras que compõem o centro. A geografia da cidade, em meio a montanhas e quebradas, é impressionante. Outra coisa que nos impressionou muito foi a rede de teleféricos recém implantada, através da qual é possível cruzar grande parte da cidade em cabines a dezenas de metros de altura.  Chega a dar aquele friozinho na barriga típico de parques de diversão.

Aproveitamos a passagem por La Paz para visitar uma oficina mecânica e fazer troca de óleo e uma revisão geral na suspensão e freios do carro. Encontramos uma excelente dica do pessoal da Nossa Grande Viagem, e passamos na oficina do Jorge Balvar, que fez um serviço excelente e rápido, nos deixando tranquilos para seguir viagem.

No dia de ir embora, a epopéia foi conseguir encher o tanque do carro para seguir viagem. Na Bolívia, o combustível custa três vezes mais caro para estrangeiro, mas todo mundo acaba dando um “jeitinho” e comprando com ajuda de um local ou em um valor intermediário em um posto não controlado. Porém, em La Paz os postos são controlados por câmeras e é quase impossível comprar fora da tabela. Além disso, há outros contratempos, como o que nos aconteceu. A informação oficial de reajuste de valores para estrangeiro não havia chegado aos postos de gasolina e, portanto, eles não podiam nos vender combustível, por preço nenhum. Depois de algumas tentativas, já na reserva, nos aconselharam a tentar em El Alto, onde ficamos horas perdidos entre ruas desencontradas e um congestionamento absurdo em meio a uma feira livre, até finalmente encontrar um posto que nos pudesse vender diesel.

De La Paz, decidimos seguir para a fronteira de Desaguadero, em vez de cruzar pelo Lago Titicaca, para passar pelas ruínas de Tiwanaku, uma cidade antiga berço da civilazação homônima e que possui um conjunto de ruínas impressionante.

Depois disso tudo, chegamos à fronteira com o Peru apenas no final da tarde, péssimo horário para lidar com qualquer imprevisto. Era uma sexta-feira e, para nossa surpresa, nesse dia ocorre uma feira de rua (mais uma!) entre os lados boliviano e peruano da cidade e as ruas são tomadas por centenas de pessoas, motos, ambulantes passando constantemente de um lado para outro. A gente mal conseguia passar de carro em meio àquela bagunça. Foi uma pena não termos registrado mais essa cena surreal do dia.

Os trâmites, em si, foram tranquilos, mas, como não tínhamos contratado o seguro SOAT para o veículo com antecedência, perdemos mais algum tempo em fila de banco até resolver isso. Quando entramos de fato no Peru já era noite, mas seguimos ainda cerca de 200 quilômetros até Chucuito, um povoado perto de Puno, para enfim dormir em um lugar tranquilo.