Sucre foi uma boa surpresa

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Sobre a Iglesia de San Felipe Neri.

Sempre me incomodo quando leio posts em blogs de viagem com um título como esse, pois me dão a impressão de que a pessoa se surpreendeu mais por ignorância a respeito do lugar aonde foi do que por outro motivo. Pois foi assim mesmo que entramos na Bolívia, com um certo preconceito em relação ao país mais pobre da América do Sul. As preocupações com segurança, somadas ao frio, à altitude, e agravadas por nossa intoxicação logo no segundo dia no país, faziam com que a gente quisesse passar por lá o mais rápido possível, e quase cortamos Sucre do trajeto, por estar fora do caminho mais curto a La Paz.

Mas, felizmente, não o fizemos. O fato é que percebemos que estávamos completamente errados. Passando Uyuni, as estradas eram boas e seguras e há muitos lugares lindos para conhecer. Além disso, o contato que tivemos com a história do país, a expulsão final dos invasores espanhóis da América liderada por Simón Bolívar, a perda de territórios importantes em guerras e a recente valorização das culturas indígenas, foi emocionante.

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Mirador de la Recoleta, em Sucre.

E Sucre foi o ponto alto de nossa passagem pela Bolívia. Adoramos a beleza e o clima da cidade. Tanto que ficamos duas semanas estacionados lá, caminhando pelo centro, indo ao mercado, curtindo o dia a dia. Ficamos hospedados no delicioso camping de Don Alberto e Doña Felicidad, com uma estrutura simples, mas super bem localizado e parada obrigatória dos overlanders que chegam à cidade. Mais uma vez os amigos nos alcançaram e, ao final, quando os caminhos se separariam definitivamente, foi difícil ir embora.

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Plaza 25 de Mayo, em Sucre.

No final da primeira semana, decidimos ficar mais uma para que eu fizesse algumas aulas de espanhol no Instituto Boliviano Alemán. O Dani já falava bem o idioma, mas eu, antes desta viagem, não falava nada de espanhol. Depois de quatro meses, já estava me virando, mas essa semana intensa de estudo me fez dar um bom salto. Ainda falta aprimorar, claro, mas já abandonei de vez aquele “portunhol” vergonhoso de turista brasileiro.

Passar férias estudando espanhol em algum país vizinho é uma ótima dica para aprender o idioma. Não sei como nunca havia pensado nisso antes. E para quem pensa em fazer isso, a Bolívia é uma ótima opção. Eles têm uma pronúncia muito mais limpa, com menos gírias e mais fácil de entender que os outros países por onde passamos. Além disso, o custo de vida é muito mais baixo. Combinação perfeita.

Enquanto me dedicava aos estudos, o Dani aproveitou o tempo para migrar nosso conteúdo da viagem do facebook para o blog, que finalmente está no ar.

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Churrasco de despedida.