O pior dia dos namorados, em Uyuni

Como estávamos exaustos depois de ter iniciado o dia às 3 horas da manhã, decidimos ficar no melhor hotel que encontrássemos em Uyuni e relaxar e assim chegamos ao hotel Toñito. Foi nossa sorte.

Almoçamos em um restaurante, jantamos pizza sem sair do quarto e assistimos TV. Coisas banais do dia a dia, mas que, na nossa rotina atual, são raras. Deixamos o combustível congelar à vontade na madrugada, pois só sairíamos, preguiçosamente, no início da tarde.

No dia seguinte, depois do melhor café da manhã de hotel que já tomamos, com tudo pronto para sair, eu comecei a me sentir mal, mas achei que era só efeito da altitude (estávamos por volta de 3.600 m sobre o nível do mar). Compramos umas pílulas para o soroche e seguimos para a estrada em direção a Potosí. Logo na saída da cidade, a estrada estava interditada para uma competição escolar de ciclismo e só reabriria depois de uma hora.

Enquanto decidíamos o que fazer, uma das professoras veio até nosso carro dizer que sua aluna tinha chegado em primeiro lugar. E que pedia, como prêmio, uma foto com o Dani. Só com ele. Sei lá o que ela faria com a foto depois, a essa altura a única coisa que me preocupava era manter o foco da visão, pois tudo começava a girar.

Depois da foto-troféu, como tínhamos umas coisas para comprar, voltamos à cidade e, em mais 15 minutos que esperei dentro do carro percebi que estava piorando muito rapidamente, sentia um misto de tontura, enjoo, dores abdominais e de cabeça, que pareciam muito mais uma intoxicação alimentar do que mal de altura. Vi no mapa o desenho sinuoso da estrada até Potosí e decidi voltar ao hotel. Foi o tempo exato para eu começar a vomitar e a ter febre. O Dani ainda teve tempo de ir até a farmácia e comprar água, antes de começar, ele também, a ter os mesmos sintomas.

16-DSC_0110
Feira de rua no caminho até a farmácia. A senhora não gostou da foto e ameaçou me jogar uma banana

No fim da tarde, já estávamos os dois prostrados, cada um em uma cama, à base de água, remédios e bolacha de água e sal, acompanhados do Cine Latino, na televisão.

No dia seguinte, mesma coisa, nenhum de nós conseguia sair da cama. O Chris, dono do restaurante do hotel, nos preparou um arroz com batatas no fim do dia, pois não tínhamos força nem para ir até o carro preparar algo para comer. E assim passamos o dia dos namorados. Acho que dá para entender porque este post não tem foto.

17-DSC_0115
Cão de rua, no mercado de Uyuni. O olhar desolador lembra um pouco nossas caras naqueles dias.

P.S.: Revendo nossos passos, achamos que o que nos contaminou foi uma garrafa de água quente que pedimos no primeiro hostel, para tomar um mate no salar (adquirimos esse hábito com os argentinos). Estava fervida, mas não nos demos conta de que, nessa altitude, em decorrência da menor pressão atmosférica, a água entra em ebulição perto dos 80 °C, temperatura insuficiente para matar a maioria das bactérias.