Passagem pela região dos lagos, no Chile

Terminamos a Carretera Austral e entramos na região dos lagos meio apressados, em parte porque não sabíamos bem como estava a situação em decorrência das erupções do vulcão Calbuco, mas, também porque, a essa altura, já estávamos mais curiosos do que preocupados.

Passamos por Puerto Montt e Puerto Varas e estava tudo absolutamente normal. Essa região já é bem diferente do que tínhamos percorrido no Chile até então. Com grande influência dos imigrantes alemães, com exceção dos vulcões e dos lagos azul turquesa, culturalmente lembrou muito Santa Catarina, no Brasil.

Passamos pelas duas cidades maiores e descobrimos um camping ótimo em Llanquihue (o melhor da viagem até então), na margem do lago de mesmo nome, o Camping Playa Werner. A cidade é menor e bem mais tranquila que as duas anteriores.

Normalmente, do local onde ficamos, é possível ver os dois vulcões do outro lado do lago – Calbuco e Osorno –, mas tivemos dias muito nublados e só víamos um leve vulto durante a noite. Acompanhando os blogs de outros viajantes que vamos conhecendo, muitas vezes vemos uma foto incrível tirada um ou dois dias antes ou depois de termos passado por um local. E o contrário também, muitas vezes nós é que temos a foto que o outro perdeu. Dava pra montar um grande álbum juntando todo mundo.

No segundo dia, o vento virou mais para oeste e começou trazer as cinzas mais finas que continuavam sendo expelidas pelo vulcão. Apesar dos danos causados às pessoas que vivem nas áreas afetadas, não dá para deixar de admirar a força desses fenômenos da natureza, nem sua beleza singular. Nesse caso, o que tivemos foi a imagem abaixo, uma paisagem absolutamente cinza, com o sol nascendo por trás das cinzas em suspensão no ar.

Sol nascendo por trás das cinzas emitidas pelo vulcão Calbuco. A foto é colorida, e a paisagem, tal como a vimos.
Sol nascendo por trás das cinzas emitidas pelo vulcão Calbuco. A foto é colorida, e a paisagem, tal como a vimos.

Antes de seguir para Valdívia, que seria a próxima parada, percorremos a estrada que contorna o lago Llanquihue, passando por Ensenada para ver os efeitos da erupção. As estradas estavam controladas, mas, como estávamos só de passagem, o policial nos deixou seguir.

Vulcão Calbuco
Vulcão Calbuco
Vulcão Calbuco.
Vulcão Calbuco

Além dos danos imediatos de boa parte das construções, que desabaram sob o peso das cinzas, apesar de não terem havido vítimas humanas, a perspectiva era de que vários animais morreriam de fome nos dias seguintes. Mais tarde, vimos em um noticiário que eles também foram evacuados, mas o trabalho para remover todas as cinzas ainda demoraria: até o terceiro dia da erupção, já haviam sido liberados mais de 210 milhões de toneladas de material vulcânico pelo Calbuco.

Em Ensenada. O que parece areia, não é. São as cinzas cobrindo o pasto.
Em Ensenada. O que parece areia, não é. São as cinzas cobrindo o pasto.
Trabalho de remoção das cinzas em Ensenada
Trabalho de remoção das cinzas em Ensenada
Vulcão Osorno, por trás das cinzas em suspensão no ar
Vulcão Osorno, por trás das cinzas em suspensão no ar
Acampamento no lago Llanquihue
Acampamento no lago Llanquihue