Entrando no Chile e Torres del Paine

De Ushuaia partimos para o norte (para o sul seria um pouco complicado), saindo da Tierra del Fuego, entrando no Chile. Antes de seguir para Torres del Paine, fizemos duas breves paradas nas cidades de Punta Arenas e Puerto Natales. Na primeira, passeamos pela cidade e almoçamos no mercado municipal. A cidade é bem bonita e organizada para turismo e os prédios históricos no centro são identificados com placas que contam um pouco da sua importância. Lá conhecemos o Sergio e a Leonor, dois aventureiros adeptos do Defender que nos deram várias dicas sobre o Chile e a Carretera Austral (muchas gracias Sergio y Leonor!!!).

Em Puerto Natales, que é a base para acessar o Parque Nacional Torres del Paine, enrolamos um pouco para esperar o tempo melhorar. Chovia muito e a gente se sentia ainda mais gelado. A cidade tem um jeito divertido, jovem, cheio de mochileiros indo ou voltando do parque.

No terceiro dia, acordamos cedo e seguimos para o parque determinados a encarar o mau tempo e fazer pelo menos uma das trilhas mais curtas. Chegando lá, só encotramos ventos de 70 km/h, chuva e nenhuma montanha, pois não se via nada por trás das nuvens. A previsão era que ficasse assim ainda por três dias e então decidimos ficar em um dos campings livres e esperar.

Uma boa dica que havíamos recebido antes é estacionar o carro sempre contra o vento para evitar que as portas se quebrem ao abrir. Nesse caso, o pior que pode acontecer é não conseguir abri-la. Na primeira parada, esquecemos disso e a porta quase se foi, mas deu para segurar no reflexo, um pouco antes do impacto. Regra anotada e nunca mais esquecida!

Com o vento, também era inviável abrir a barraca, e por isso passamos duas noites dormindo dentro do carro.

Existem dois percursos principais de trilhas no parque, com duração de 5 a 10 dias: o chamado W, que contorna as montanhas pela frente e o O, que engloba o W e faz a volta completa. Quando chegamos, o O já estava fechado em decorrência da neve no alto das montanhas, e parte do W também. Além desses, existem alguns trajetos menores e mais fáceis.

No segundo dia já conseguimos ver parte das montanhas, mas foi apenas no terceiro que o céu amanheceu aberto e lindo e conseguimos fazer várias fotos a aproveitar. Refizemos todos os trajetos de carro, mas a essa altura já havíamos desistido de encarar o vento nas trilhas. Fizemos apenas uma caminhada curta para ter uma visão mais próxima dos “cuernos” e no meio da tarde tocamos rumo à fronteira de Río Turbio, de volta à Argentina, com destino a El Calafate.