Até o fim do mundo

A percepção da chegada à Terra do Fogo por terra, depois ter atravessado toda a Patagônia de norte a sul pela Ruta 3 é totalmente diferente da de quem chega diretamente de avião.

Após dias cansativos dirigindo em uma reta que parece não ter fim, com a monotonia da paisagem plana, árida, com vegetação esparsa e rasteira e a atenção redobrada com os muitos animais que cruzam a pista e o com o vento intenso, de repente, tudo muda radicalmente.

Perto de Río Grande, já na Terra do Fogo, surgem algumas elevações, mas, passando Tolhuim, a 100km de Ushuaia, sem perceber a transição, de repente estamos em meio a montanhas altas com picos nevados, grandes lagos, bosques densos e com ar bastante úmido e frio.Antes de chegarmos em Río Grande, havíamos dirigido por dois dias inteiros, parando apenas para dormir em Caleta Olivia e Río Gallegos. Nesse último trecho foi necessário entrar no Chile, atravessar o Estreito de Magalhães de balsa, e entrar novamente na Argentina. Apesar de todos estes trâmites, conosco foi tudo rápido e não perdemos muito tempo.

Chegando a Ushuaia, aproveitamos uma janela de bom tempo e demos uma sossegada. Depois de uma noite de muito vento no camping municipal, que estava bem sujo e mal cuidado, descobrimos outro logo ao lado (perto da estação do Trem do Fim do Mundo), limpo e super tranquilo. Faziam dias de verão, com calor de 15 graus durante o dia.

Pesquisamos os passeios disponíveis, mas decidimos fugir dos mais convencionais. Em vez de navegação e avistamento de pinguins, fizemos a caminhada até a base do Glaciar Martial, e trocamos a famosa centolla (caranguejo gigante) em algum restaurante da Av. San Martín pelo restaurante do próprio pescador, em Puerto Almanza, a cerca de 70 km da cidade. Depois ainda encaramos um trekking bem puxado no Parque Nacional Tierra Del Fuego.

Só não deu para escapar de uma tarde em um café no dia em que a chuva caiu e a sensação térmica despencou.